O que acompanhamos
Goiânia não é apenas a sétima maior cidade do Brasil — é um laboratório urbano em constante movimento. Nos últimos cinco anos, a população da região metropolitana ultrapassou 2,5 milhões de habitantes, impulsionada por migração interna, expansão do setor de serviços e pela força do agronegócio goiano no entorno imediato.
O Plano Direto nasceu para preencher uma lacuna: cobertura jornalística que combine rigor analítico com proximidade do território. Não publicamos press releases sem contexto nem reproduzimos discursos oficiais sem verificação. Cada reportagem parte de dados verificáveis — mapas do geoportal municipal, bases do IBGE, registros de licitações, arquivos GTFS do transporte coletivo e documentos do portal de transparência do Estado de Goiás.
A expansão urbana é talvez o tema mais visível para quem circula pela cidade. Bairros que até pouco tempo eram zona rural, como regiões ao longo da GO-040 e da GO-070, hoje abrigam condomínios verticais e loteamentos de médio padrão. A prefeitura aprovou, entre 2024 e 2026, dezenas de novos projetos de parcelamento do solo — muitos deles sem estudo de impacto de vizinhança detalhado, segundo levantamento feito por nossa equipe com base em atas de reuniões do Conselho de Desenvolvimento Urbano.
Paralelamente, o agronegócio no entorno metropolitano redefine fronteiras entre campo e cidade. Cooperativas de grãos instalaram unidades de beneficiamento a poucos quilômetros do Anel Viário, enquanto produtores de hortaliças enfrentam pressão imobiliária em áreas tradicionalmente agrícolas do distrito de Caldas Novas e municípios vizinhos como Trindade e Aparecida de Goiânia.
A mobilidade urbana permanece como um dos maiores gargalos. Goiânia tem uma das maiores frotas de veículos per capita entre as capitais do Centro-Oeste, mas o transporte coletivo perdeu passageiros na última década. A publicação de dados GTFS pela prefeitura, ainda que incompleta, permite pela primeira vez análises independentes sobre pontualidade e cobertura das linhas — tema que exploramos em profundidade em nossas reportagens.
Por fim, os dados públicos de Goiás são matéria-prima para qualquer cobertura séria sobre a região. Quando bases estão abertas e atualizadas, cidadãos e jornalistas podem fiscalizar obras, acompanhar gastos e identificar desigualdades territoriais. Quando estão fechadas ou desatualizadas, a accountability sofre. Monitoramos permanentemente o estado da transparência estadual e municipal.
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